Subadquirente é a empresa que habilita lojistas a aceitar pagamentos sem ser ela a credora perante o emissor na liquidação. Na prática, ela cadastra o lojista, entrega checkout, link de pagamento e painel, cobra as taxas e repassa o dinheiro. O adquirente, ou a instituição parceira, fica por trás, processando e liquidando. Na regulação do Banco Central, o subadquirente tem outro nome: subcredenciador.
A definição oficial
O Anexo I da Resolução BCB 150/2021, com a redação dada pela Resolução BCB 522/2025, define o subcredenciador como o participante do arranjo de pagamento que habilita, exclusivamente, o usuário final recebedor a aceitar instrumentos de pagamento, mas que não participa da liquidação como credor perante o emissor.
Duas palavras fazem a diferença. "Exclusivamente recebedor": o subcredenciador atende quem vende, não quem paga. "Não credor": na liquidação, quem fica na posição de credor perante o emissor é o credenciador, que a Resolução BCB 80 lista como uma das modalidades de instituição de pagamento.
Como o subadquirente funciona
- O lojista se cadastra no subadquirente e passa pela análise de documentos (KYC para pessoa física, KYB para empresa).
- O cliente paga no checkout, no link de pagamento ou pela API do subadquirente.
- A transação segue para o parceiro financeiro, que processa a cobrança.
- A liquidação segue as regras do arranjo. Desde a Resolução BCB 522, todos os subcredenciadores participam da liquidação centralizada nos arranjos sujeitos a ela.
- O subadquirente registra a transação, a taxa, o split e a reserva, e libera o saldo ao lojista no prazo combinado.
- Estornos, disputas e chargebacks voltam pelo mesmo caminho e são registrados na conta do lojista.
No Pix o desenho é outro. Não existe a figura do credenciador: o pagamento cai numa conta transacional mantida em um participante do Pix. A operação que recebe Pix por vários lojistas depende do parceiro que mantém essas contas, e precisa identificar cada recebedor para não cair na regra da conta-bolsão.
Adquirente x subadquirente x gateway x intermediador
| Adquirente | Subadquirente | Gateway | Intermediador | |
|---|---|---|---|---|
| O que faz | Credencia lojistas, captura e liquida transações | Habilita lojistas usando a estrutura de um parceiro e repassa os valores | Conecta a loja a um ou mais provedores e transmite a transação | Recebe em nome do vendedor e repassa, muitas vezes com saldo e saque |
| Posição na liquidação | Credor perante o emissor | Não é credor perante o emissor | Não liquida por si | Depende da estrutura |
| Contrato do lojista | Com o adquirente | Com o subadquirente | Com cada provedor ou com quem o gateway representa | Com o intermediador |
| Nome na regulação | Credenciador (Res. BCB 80) | Subcredenciador (Res. BCB 150) | Não é uma modalidade: é tecnologia | Não é uma modalidade com esse nome; vale a atividade |
| Autorização do BC | Sim | Quando a regulação exigir | Depende da atividade | Se gerir conta de pagamento, sim |
Dois avisos sobre a tabela. Primeiro, no Brasil muita empresa que se apresenta como gateway atua de fato como subadquirente. Segundo, o que conta para a regulação é a atividade, e não o nome no site. Se a empresa mantém saldo em nome do lojista, com aporte e saque, ela pode estar gerindo conta de pagamento, que é a modalidade emissor de moeda eletrônica. O intermediador tem um artigo próprio: o que é intermediador de pagamento.
Por que o modelo existe
Para o lojista, o subadquirente resolve num contrato só o que daria trabalho montar sozinho: cadastro, checkout, link de pagamento, painel, split entre sócios ou parceiros e um único lugar para ver vendas e saques.
Para quem opera o subadquirente, o negócio está na taxa sobre o volume e nos serviços em volta: atendimento a um nicho, prazos de liberação, split, integrações com plataformas de venda. O custo está no risco. O subadquirente cuida do cadastro dos lojistas, das reservas para disputas e estornos e da conciliação de tudo o que entra e sai.
Vantagens e limites para o lojista
| Vantagens | Limites |
|---|---|
| Um contrato só, em vez de negociar com cada provedor | O lojista depende do subadquirente para receber |
| Cadastro e início mais simples | Prazos de liberação e reservas são definidos pelo subadquirente |
| Checkout, link de pagamento, painel e split prontos | A taxa inclui a margem de quem intermedia |
| Um extrato com vendas, taxas e saques | Se o subadquirente parar, o repasse para junto |
Para quem opera, a lista da direita é a lista de cuidados: prazos claros no contrato, reservas proporcionais ao risco, conciliação diária e uma estrutura de contas em que o dinheiro de cada lojista seja identificável.
O subadquirente na regulação de 2026
- Autorização. O subcredenciador precisa de autorização quando a regulação exigir (art. 13, I, do Anexo I da Resolução BCB 150). Se a atividade se enquadrar como instituição de pagamento, a Resolução BCB 494, de 5/9/2025, exige o pedido antes de começar.
- Liquidação centralizada. A Resolução BCB 522, publicada em 12/11/2025, exige a participação de todos os subcredenciadores na liquidação centralizada dos arranjos sujeitos a ela.
- Conta-bolsão. A Resolução BCB 518, em vigor desde 1º/12/2025, manda encerrar contas usadas para receber e pagar por terceiros de forma que impeça identificá-los.
O quadro completo, com datas e links, está no guia de regulação de instituição de pagamento.
Como lançar o seu subadquirente
Você pode desenvolver a tecnologia ou usar uma plataforma white label. Com a XF TECH, a sua operação recebe painel administrativo, gestão de lojistas e subcontas, taxas, reservas, splits, saques, KYC/KYB, disputas, chargebacks e MED, cadastro de provedores e fluxos, API, checkout e links de pagamento, tudo com a sua marca e o seu domínio. A parte regulatória e o contrato com o parceiro financeiro continuam com você e o seu jurídico.
Veja o modelo em subadquirente white label e o caminho completo em como ser subadquirente.
Conteúdo informativo, atualizado em 25/10/2026. Não substitui orientação jurídica.
Perguntas frequentes
Subadquirente é a mesma coisa que gateway de pagamento?
Não necessariamente. Gateway é a tecnologia que conecta a loja aos provedores e transmite a transação. Subadquirente é o papel de quem habilita o lojista e responde pelo repasse. No mercado, muita empresa que se chama de gateway atua como subadquirente, e o que vale para a regulação é a atividade, não o nome.
Qual é o nome do subadquirente na regulação?
Subcredenciador. O Anexo I da Resolução BCB 150/2021, com a redação da Resolução BCB 522/2025, define o subcredenciador como o participante do arranjo que habilita exclusivamente o usuário final recebedor, sem participar da liquidação como credor perante o emissor.
O subadquirente pode reter dinheiro do lojista?
Tecnicamente, a plataforma permite configurar reservas, prazos de liberação, bloqueios operacionais e retenções ligadas a disputas, chargebacks, análise de risco ou pendências de cadastro. Os critérios, a base jurídica e os prazos precisam estar no contrato com o lojista.
Por que um lojista escolhe um subadquirente em vez do adquirente?
Porque o subadquirente costuma oferecer o pacote pronto: cadastro, checkout, link de pagamento, painel e split num contrato só. Para o lojista, é menos trabalho do que negociar e integrar cada provedor.