Para ser subadquirente você precisa de quatro coisas: um parceiro financeiro que processe e liquide os pagamentos, uma estrutura jurídica que respeite as regras do Banco Central, um processo de cadastro e risco para aprovar lojistas, e tecnologia para cobrar, repassar e conciliar. A ordem importa. Quem começa pela tecnologia e deixa o jurídico para depois costuma refazer o modelo.
Subadquirente é o nome de mercado. Na regulação, ele é o subcredenciador: o participante do arranjo que habilita o lojista a aceitar pagamentos, mas não participa da liquidação como credor perante o emissor (Resolução BCB 150, Anexo I, art. 2º, IX, com a redação da Resolução BCB 522/2025). Se quiser a explicação completa da cadeia, leia o que é subadquirente.
O que mudou para quem quer ser subadquirente
Quatro regras de 2025 mudaram o jogo:
- Autorização antes de operar. Pela Resolução BCB 494, de 5/9/2025, a instituição de pagamento pede autorização ao Banco Central para iniciar a prestação do serviço. Se a sua atividade for de instituição de pagamento, a autorização vem antes do primeiro lojista.
- Liquidação centralizada para todos. A Resolução BCB 522, publicada em 12/11/2025, exige a participação de todos os subcredenciadores na liquidação centralizada dos arranjos sujeitos a ela. O instituidor do arranjo deve suspender a captura de novas transações de quem não cumprir.
- Fim da conta-bolsão. A Resolução BCB 518 e a Resolução CMN 5.261, em vigor desde 1º/12/2025, mandam encerrar a conta usada para receber e pagar por terceiros de um jeito que esconda quem eles são.
- Limite de R$ 15 mil. As Resoluções BCB 496 e 497 limitam Pix e TED de instituições conectadas à rede do Sistema Financeiro Nacional por provedor de tecnologia (PSTI) que não atende às exceções.
O resumo de cada uma, com as datas, está no guia de regulação de instituição de pagamento.
Passo a passo
- Defina o que você vai fazer com o dinheiro. Escreva numa frase. Uma empresa que só orquestra a cobrança, com o parceiro liquidando direto para o lojista, está num modelo. Uma empresa que mantém saldo em nome do lojista, com aporte e saque, está em outro: a atividade pode ser gestão de conta de pagamento, que é a modalidade emissor de moeda eletrônica da Resolução BCB 80 e exige autorização.
- Faça o enquadramento com o jurídico. Com a frase do passo 1, o advogado diz se a empresa precisa de autorização e em qual modalidade. Se precisar, leia como funciona a autorização no Banco Central e prepare o capital mínimo.
- Escolha o parceiro financeiro. Pergunte quem processa e quem liquida, como ele se conecta à rede do Sistema Financeiro Nacional, se está sujeito ao limite de R$ 15 mil, que estrutura de contas oferece, que documentos de KYC exige e como é a homologação.
- Desenhe a estrutura de contas e a titularidade. Cada lojista precisa ser identificável, e cada movimento precisa estar registrado em nome dele. Em nome de quem ficam os valores e qual é a natureza do saldo são definições do contrato, não da tecnologia. Veja como operar sem conta-bolsão.
- Escreva a política de cadastro e risco. Quais documentos você pede de pessoa física e de empresa, quem aprova, quando você pede complemento, quando restringe a conta, quanto retém em reserva e por quanto tempo. O guia de KYC e KYB ajuda a montar essa lista.
- Escolha a tecnologia. Você vai precisar de painel administrativo, cadastro de lojistas e subcontas, cobrança Pix, split, taxas, saques, reservas, disputas, conciliação, API e webhooks. Compare desenvolver do zero e white label.
- Defina taxas e prazos. Preço é decisão sua. No painel, você configura taxas, reservas, prazos de liberação, bloqueios e retenções.
- Teste e entre em operação com poucos lojistas. Use o ambiente de testes, faça a homologação com cada provedor e acompanhe a conciliação dos primeiros dias antes de abrir para todos.
Erros comuns no começo
- Começar pela tecnologia e descobrir depois que o modelo exige autorização.
- Receber tudo numa conta só e repassar por fora, exatamente o modelo que a regra de conta-bolsão atinge.
- Ativar o lojista antes de terminar o cadastro, para não perder a primeira venda.
- Não reservar nada para estornos e disputas e descobrir o problema quando o saldo do lojista já foi sacado.
- Assinar com o parceiro financeiro sem saber se ele está sujeito ao limite de R$ 15 mil.
- Deixar a titularidade dos valores implícita no contrato.
Quanto custa
O custo de ser subadquirente se divide em tecnologia, regulação, capital, equipe, KYC/KYB e parceiro financeiro. Só a tecnologia muda muito entre desenvolver e licenciar. Se a sua empresa precisar de autorização, o capital mínimo pesa mais do que tudo: no exemplo da apresentação do Banco Central de 19/5/2026, a instituição de pagamento com conta pré-paga precisa de R$ 12,4 milhões sem Pix e R$ 17,4 milhões com Pix. A conta completa está em quanto custa abrir um gateway de pagamento.
Onde a XF TECH entra
A XF TECH fornece a tecnologia do passo 6 com a sua marca. A sua operação recebe painel administrativo próprio, gestão de lojistas e subcontas, configuração de taxas, reservas, splits e saques, ferramentas de KYC/KYB, gestão de disputas, chargebacks e MED, cadastro de provedores e fluxos com regras de prioridade e alternativa, API própria, checkout e links de pagamento.
A plataforma mantém um ledger por empresa com créditos, débitos, taxas, reservas, splits, estornos e saques. Isso não resolve o enquadramento regulatório, que é dos passos 1 a 4, mas dá a você o registro por lojista que a regra de conta-bolsão torna indispensável.
O modelo está descrito em subadquirente white label.
Conteúdo informativo, atualizado em 25/10/2026. Não substitui orientação jurídica.
Perguntas frequentes
Subadquirente precisa de autorização do Banco Central?
Depende da atividade. O subcredenciador precisa de autorização quando a regulação exigir, conforme o art. 13 do Anexo I da Resolução BCB 150. Se a operação mantém saldo em nome dos lojistas, com aporte e saque, ela pode se enquadrar como emissor de moeda eletrônica, modalidade que exige autorização. Avalie com o jurídico.
Qual a diferença entre subadquirente e adquirente?
O adquirente, que a regulação chama de credenciador, participa da liquidação como credor perante o emissor do instrumento de pagamento. O subadquirente também habilita lojistas a aceitar pagamentos, mas não ocupa essa posição na liquidação.
Dá para ser subadquirente só de Pix?
No Pix não existe a figura do credenciador: o pagamento cai numa conta transacional mantida em um participante do Pix. Uma operação só de Pix depende do parceiro que mantém essas contas e precisa identificar cada recebedor para respeitar as regras de conta-bolsão.
Quanto tempo leva para começar?
Com tecnologia white label, a parte técnica já existe e o prazo de implantação vem na proposta. Contrato e homologação com o parceiro financeiro podem levar mais tempo. Se a sua empresa pedir autorização ao Banco Central, o prazo máximo de decisão é de 540 dias para pedidos protocolados desde 2/10/2026.