Para revender gateway de pagamento, você escolhe entre três modelos. No primeiro, você indica ou revende o gateway de outra empresa e recebe uma comissão. No segundo, você opera um gateway white label: a tecnologia é de um fornecedor, mas a marca, os lojistas e as taxas são seus. No terceiro, você monta a própria instituição de pagamento, com autorização do Banco Central. A escolha define quem é dono do lojista, quanto da taxa fica com você, quem paga a conta quando algo dá errado e o que a regulação exige.
Os três modelos
1. Revenda ou indicação de um gateway de terceiros
Você vende, e outra empresa entrega. O lojista assina com o gateway, usa o painel dele, passa pelo cadastro dele e recebe pela estrutura dele. A sua remuneração segue o programa de parceiros daquele gateway: comissão sobre volume, valor por lojista ativo ou diferença sobre uma taxa base, conforme o contrato.
É o modelo de menor investimento. Você não precisa de tecnologia, parceiro financeiro nem equipe de risco. O custo aparece no controle: as taxas, os critérios de aprovação, os prazos de saque e o suporte são do gateway. Se ele mudar as regras ou encerrar o programa, a sua receita muda junto, e os lojistas continuam com ele.
2. Gateway white label com a sua marca
Você vira a operação. Um fornecedor de tecnologia entrega a plataforma pronta: painel administrativo, API, checkout, links de pagamento, KYC/KYB, split, reservas, saques e roteamento entre provedores, tudo com o seu domínio e a sua identidade. Um parceiro financeiro processa e liquida os pagamentos. Você define as taxas por lojista, aprova os cadastros, atende os lojistas e responde pelo risco.
O lojista assina com você. A receita é a diferença entre o que você cobra e o que paga ao parceiro financeiro e à plataforma. O modelo está explicado no guia do gateway white label.
3. Instituição de pagamento própria
Você monta a estrutura inteira. Desde a Resolução BCB 494, de 5/9/2025, a instituição de pagamento pede autorização ao Banco Central antes de começar, listando todas as modalidades em que vai atuar. O capital mínimo segue a Resolução Conjunta 14, de 3/11/2025, que calcula o valor pelas atividades exercidas. Somam-se governança, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro e uma equipe dedicada.
É o modelo de maior controle e de maior prazo. O caminho está em como abrir uma fintech de pagamento e em autorização de instituição de pagamento.
Comparação lado a lado
| Tema | Revenda ou indicação | White label com marca própria | Instituição de pagamento própria |
|---|---|---|---|
| Marca que o lojista vê | A do gateway | A sua | A sua |
| Contrato do lojista | Com o gateway | Com a sua operação | Com a sua instituição |
| Quem define a taxa | O gateway | Você | Você |
| De onde vem a receita | Comissão do programa | Diferença entre taxa e custos | Diferença entre taxa e custos |
| Cadastro e KYC/KYB | Critérios do gateway | Seus critérios, com as ferramentas da plataforma | Seus critérios e a sua estrutura |
| Fraude, MED e chargeback | Com o gateway | Com a sua operação, conforme o contrato com o parceiro | Com a sua instituição |
| Suporte ao lojista | Do gateway | Seu | Seu |
| Regulação | Do gateway | Depende da atividade da sua operação | Autorização do Banco Central antes de começar |
| Se você sair | O lojista fica com o gateway | O lojista é seu; a saída do fornecedor segue o contrato | O lojista é seu |
| Investimento e prazo | Baixos | Intermediários | Altos |
O que muda em cada ponto
Marca. Na indicação, você constrói a marca de outra empresa. Na white label e na instituição própria, cada venda reforça a sua. Se você usa o seu nome para vender um serviço prestado por outra empresa, deixe claro ao lojista quem presta o serviço.
Receita. Na indicação, a comissão sai do que o gateway ganha com o lojista, então é uma parte dessa receita. Na operação própria, a margem é maior, mas vem junto com custos fixos: plataforma, parceiro financeiro, equipe e perdas com contestações. As fontes de receita e os pontos em que a margem vaza estão em como um gateway de pagamento ganha dinheiro.
Responsabilidade. Quem opera responde. Na white label, a tecnologia é do fornecedor, mas os critérios de aprovação, as reservas, o atendimento e a relação com o lojista são seus. Falhas de processamento, liquidação, Pix ou saque dependem do provedor responsável pela etapa, e a matriz de responsabilidades vai para o contrato.
Regulação. A tecnologia não muda o enquadramento. O que conta é a atividade: quem mantém saldo em nome do lojista, com aporte e saque, pode estar gerindo conta de pagamento. Leve esse ponto ao jurídico com a página de regulação para operar.
Controle do lojista. Na indicação, a base é do gateway. Na white label, os dados da operação ficam acessíveis a você: clientes, lojistas, transações, saldos, extratos, saques, taxas, reservas, splits, estornos, chargebacks, documentos, status de KYC/KYB, logs de API, webhooks, relatórios e registros de auditoria.
Quando cada modelo faz sentido
- Revenda ou indicação: você tem acesso a lojistas, mas ainda não sabe se pagamentos vão virar negócio. Serve para testar a demanda com pouco risco.
- White label: você já tem uma base que recebe pagamentos, como uma plataforma, um software, uma agência ou uma carteira de clientes, e quer a receita e o controle sem construir a tecnologia. A comparação com desenvolver internamente está em white label ou desenvolver do zero.
- Instituição própria: o volume e o plano de longo prazo justificam a autorização, o capital e a equipe. Validar o mercado antes com um dos outros modelos reduz o risco desse investimento.
Cuidados na troca de modelo
Começar indicando e depois montar a operação própria é um caminho possível, mas a base não muda de casa sozinha. Os lojistas indicados têm contrato com o outro gateway: para trazê-los, eles refazem cadastro e KYC/KYB, trocam a integração e mantêm o saldo antigo onde está até sacar. O passo a passo está em como migrar lojistas de outro gateway. Leia também as cláusulas de não aliciamento e de exclusividade do programa de parceiros antes de assinar.
Onde a XF TECH entra
A XF TECH fornece a tecnologia do segundo modelo. A sua operação recebe painel administrativo, API própria, checkout e links de pagamento, KYC/KYB, split e subcontas, reservas, saques via Pix e roteamento entre provedores, com a sua marca e o seu domínio. Cartão depende do provedor, da integração e da homologação. Preço, prazo de implantação e exclusividade são tratados na proposta.
Conteúdo informativo, atualizado em 25/10/2026. Não substitui orientação jurídica.
Perguntas frequentes
Revender gateway de pagamento exige autorização do Banco Central?
Na indicação, quem presta o serviço de pagamento é o gateway contratado, e o enquadramento é dele. Na white label e na instituição própria, depende da atividade da sua operação. Desde a Resolução BCB 494, de 5/9/2025, a instituição de pagamento pede autorização antes de começar. Confirme o seu caso com o jurídico.
Quanto ganha quem revende gateway de pagamento?
Não existe um valor padrão. Na indicação, a remuneração é a que o contrato com o gateway define. Na white label, a receita é a diferença entre as taxas que você cobra e os custos do parceiro financeiro, da plataforma e da operação.
Posso começar indicando e depois ter marca própria?
Pode. Só que os lojistas indicados têm contrato com o outro gateway. Para trazê-los, eles fazem cadastro e KYC/KYB na sua operação e trocam a integração, e o saldo antigo continua no gateway anterior.
Na white label, o lojista sabe que a tecnologia é de outra empresa?
A operação usa a sua marca, o seu domínio, o seu painel, os seus e-mails e a sua documentação. Eventuais identificações legais do fornecedor de tecnologia ou dos parceiros financeiros são definidas em contrato.